As festas de fim de ano trazem à tona dinâmicas familiares que ficam adormecidas durante o resto do ano. Ao invés de resistir a esses encontros, podemos usá-los como espelho â e aprender o que eles têm a nos mostrar.
O espelho que aparece uma vez por ano
Tem uma sensação familiar: você chega na ceia de natal sendo uma versão adulta de si mesmo â com conquistas, maturidade e anos de trabalho pessoal â e em quinze minutos está reagindo como tinha doze anos. O tom do seu pai, a expectativa da sua mãe, o silêncio do seu irmão â e tudo volta.
Isso não é regressão. Ã informação. O sistema familiar tem uma memória muito mais profunda do que a nossa consciência individual. Ele se ativa quando os atores originais estão presentes. E o que se ativa é exatamente o que ainda precisa ser visto.
"O encontro familiar não é um obstáculo ao processo terapêutico. Ele é parte do processo â especialmente para quem já começou a olhar para sua história."
Como usar o fim do ano como dado terapêutico
Em vez de tentar controlar o que vai acontecer nos encontros familiares, experimente observar. Observe com curiosidade, não com julgamento. Pergunte-se: em qual papel você naturalmente cai? Quem você protege? Quem você evita? O que você não consegue dizer? O que você sente no corpo quando determinada pessoa entra na sala?
Essas observações são ouro para qualquer processo terapêutico â sistêmico ou não. Elas revelam o mapa que está operando, e esse mapa é o que precisamos ver para poder, um dia, escolher outro caminho.
O que fazer com o que você observar
Anote. Nomeie as sensações sem julgamento. Traga para sua próxima sessão â seja de constelação, de psicoterapia ou de qualquer outro processo que você esteja fazendo. E, acima de tudo, tenha compaixão. Com você e com todos ali. Cada pessoa naquela sala é o resultado de sua própria história familiar â incluindo você.
Próximo passo
Um bom começo de ano começa com um olhar honesto
Se os encontros familiares trouxeram algo para a superfície, talvez seja hora de trabalhar com isso.
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